25 de out de 2015

Violência contra mulher é o tema da redação do ENEM 2015



O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2014 é "A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira". A informação foi divulgada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), pouco depois do fechamento dos portões dos locais de prova, por meio do Twitter.

O assunto é bastante atual e discutido intensamente nas redes sociais. No ano passado, uma campanha na internet levou mulheres do Brasil todo a publicar fotos com a frase "Não mereço ser estuprada". Desde a semana passada, em nova mobilização virtual, milhares de mulheres vêm publicando depoimentos com a hashtag #primeiroassedio. Nesses posts, sempre carregados de emoção, elas descrevem o primeiro episódio de assédio sexual que sofreram, muitas vezes na infância.

A professora de Redação do Colégio Objetivo, Cida Custódio, elogiou a escolha do tema que, segundo ela, traz uma discussão atual e fundamental.

- É um dos temas mais bem escolhidos do Enem de todos as edições. O Brasil tem histórico de violência contra a mulher. Muitos estudantes do Enem conhecem a violência contra a mulher de dentro de suas próprias casas - afirmou Cida, antes de dizer que o tema pede um posicionamento claro. - A violência contra a mulher é indefensável, os candidatos não ficarão em dúvida sobre como abordar. Além disso, recentemente, foi sancionada a lei do feminicídio. Na hora de propor intervenções, podem citar aplicação da Lei Maria da Penha, a defesa de que as escolas orientem seus alunos sobre isso.

Professor de redação do colégio e curso de A a Z, Rafael Pinna também aplaudiu o tema da prova deste ano.

- O tema mais uma vez dialoga com a atualidade brasileira. O exame costuma fugir de debates muito polêmicos, que ocupem muitas manchetes, mas nesta edição o critério foi claramente a relevância social. De certa forma, esse assunto já tinha aparecido na prova de Ciências Humanas, no sábado, com uma frase da Simone de Beauvoir, o que prova que a banca pretende reforçar o debate sobre a questão - elogiou o professor.

De acordo com Pinna, durante o texto, o aluno deve demonstrar senso de cidadania, com argumentos que tratem a violência de gênero como um problema cultural e legal, de amplitude nacional. Nesse sentido, o caminho mais lógico, diz ele, é a identificação das causas da violência de gênero, como a cultura do machismo, que leva à naturalização desse tipo de agressão, e a escassez relativa de punições, mesmo com legislações específicas sobre o assunto. Ele também enfatizou a importância de se abordar a Lei Maria da Penha:

- O estudante pode falar sobre a necessidade de se aplicar com maior eficácia a Lei Maria da Penha, sobre a importância da tipificação do feminicídio como crime hediondo no Código Penal e, principalmente, sobre a necessidade de uma mudança de valores, que depende principalmente da mídia e das escolas.

Nas redes, internautas comemoraram a escolha do tema. O assunto causou uma onda publicações no Twitter.

Especialistas ouvidas pelo G1 afirmaram que o tema é pertinente e atual, e disseram que, ao contrário de algumas edições anteriores, neste ano só há um tipo de posicionamento em relação ao tema: contrário à violência. 

"Defender a violência de qualquer pessoa é se colocar na contramão dos direitos humanos, e do próprio edital do Enem. Qualquer proposta que venha a fazer tem que contemplar os direitos humanos. Qualquer violência física, verbal ou psicológica é indefensável", afirmou ao G1 a professora Maria Aparecida Custódio, do laboratório de redação do Curso e Colégio Objetivo. 

"A gente pode comparar o Enem a um fórum de debates sobre direitos e deveres dos cidadãos. É como se o Enem convocasse 7 milhões de estudantes para discutirem uma questão, e uma questão social pertinente como a violência da mulher. Acredito que foi uma escolha muito feliz do tema porque ainda não conseguimos vencer essa chaga tão horrorosa. A aplicação da lei ainda não se efetivou", explicou Cida. 

Abordagem do tema passa pela Lei Maria da Penha 

A especialista em educação Andrea Ramal, elogiou o tema. "Eu acho que é um tema muito pertinente. Houve uma pequena pista ontem na prova de ciência humanas com aquela citação de Simone de Beauvoir, que já trazia a questão da mulher. É um tema atual, extremamente relevante para os jovens discutirem, ainda mais considerando que os índices de violência contra a mulher realmente pertinente no Brasil", afirmou ela ao G1. 

Segundo ela, para que uma redação do Enem 2015 tenha uma nota alta, é obrigatório citar a Lei Maria da Penha no texto. "A não ser que a lei já seja um dos textos motivadores, precisa ser citada. Tem que falar da relevância dessa lei, se vem sendo cumprida ou não, e por que, e que outras ações para além da lei o Brasil pode tomar para resolver essa situação, porque só com a Lei Maria da Penha não resolveu." 

Sobre a proposta de ação, Andrea disse que, de acordo com o tema deste ano, não será possível se sair bem sugerindo medidas muito genéricas, como, por exemplo, sugerir uma lei que combata a violência contra a mulher. "Acredito que nesse caso ele vai chover no molhado. A lei já existe. Provavelmente uma proposta interessante seria sugerir mais educação desde cedo sobre o assunto, uma discussão mais aberta nas mídias sobre o tema", disse ela. 

"A lei tem suas limitações, seja pelo cumprimento, seja porque as pessoas ficam receosas de denunciar." 

Tema causa polêmica na web 

A escolha do tema da redação do Enem 2015 gerou debates e polêmica no Twitter. Houve aqueles que defendessem a abordagem escolhida pelo Ministério da Educação (MEC) e outros que fizeram críticas. 

A prova de redação tem caráter dissertativo-argumentativo e os estudantes precisam escrever sobre o tema com base em textos de motivação apresentados na hora da prova. Até a publicação desta reportagem, o Inep ainda não tinha divulgado o teor destes textos. Segundo o Inep, "na prova de redação são avaliados aspectos relacionados às competências que devem ter sido desenvolvidas durante os anos de escolaridade. Os participantes devem defender uma tese – uma opinião – a respeito do tema proposto, apoiada em argumentos consistentes, estruturados de forma coerente e coesa, de modo a formar uma unidade textual". 









Redação. Enem traz violência contra mulher na redação; veja análise de professoras. G1. Disponível em: <http://g1.globo.com/educacao/enem/2015/noticia/2015/10/enem-2015-traz-violencia-contra-mulher-no-brasil-no-tema-da-redacao.html>;. Acesso e: 25 out. 2015 (adaptado).
O Globo. Violência contra mulher no país é o tema da redação do Enem. O GLOBO. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/enem-e-vestibular/violencia-contra-mulher-no-pais-o-tema-da-redacao-do-enem-17873892>. Acesso em: 25 out. 2015 (adaptado).


1 comentários:

André Gazola disse...

Olá professor Diego!

Encontrei seu blog hoje e estou gostando muito. Sobre o tema da redação, você não acha que ele é supervalorizado pelos alunos? Quero dizer, de nada adianta saber o tema se a pessoa não sabe escrever direito, não tem conhecimento de mundo ou vocabulário adequado, certo? Fazer uma boa redação do ENEM, sem esses recursos, me parece impossível.

Um abraço!

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