7 de ago de 2011

Língua Portuguesa: Verbo

V E R B O


O que é e para que serve

            Podemos entender o verbo como o elemento que, dentro de uma frase, permite àquele que fala ou escreve situar eventos no tempo com relação ao momento em que seu discurso está sendo produzido. De uma maneira geral, verbos exprimem ações, mas muitos deles também permitem manifestar sentimentos, sensações, estados e fenômenos naturais. É próprio de um verbo evocar um processo, isto é, o desenrolar de eventos para os quais podemos identificar seu início e fim. 

            O verbo funciona como um articulador entre os diferentes elementos que constituem uma frase. Assim, podemos entendê-lo como um núcleo que, uma vez combinado com estes outros elementos, assegura um sentido à frase. Se suprimido, os outros elementos são privados de um elo entre eles, o que torna difícil compreender o propósito da mensagem a ser transmitida. Vamos tomar como exemplo o trecho a seguir, extraído de um artigo publicado na Folha Online, em 15 de fevereiro de 2008, e do qual todos os verbos foram retirados:


Grupo teorias sobre o aquecimento global e IPCC

Iuri Dantas
da Folha de S. Paulo


Um grupo de cientistas na quinta-feira (14) ao ministro Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia) documento que a influência da ação humana nos fenômenos das mudanças climáticas globais.
"A conservação ambiental não nada a com o aquecimento global, esta a nossa principal mensagem", Luis Carlos Molion, diretor do Instituto de Ciências Atmosféricas da UFAL (Universidade Federal de Alagoas). Os integrantes do grupo "céticos sobre a existência do aquecimento global".


            Podemos ter uma ideia sobre o tema do artigo em questão? Sem dúvida, sim. Apreendemos seu sentido geral, pois as palavras que o constituem nos permitem saber que estamos diante de um texto envolvendo a opinião de um grupo de cientistas, o aquecimento global e o IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), organismo internacional responsável por pesquisas sobre mudanças climáticas. Sabemos ainda que há eventos relacionados a uma data (dia 14 de fevereiro, quinta-feira) e que o ministro Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia) e o diretor do Instituto de Ciências Atmosféricas da Ufal, Carlos Molion, participam de alguma maneira no debate proposto.  No entanto, nossa compreensão plena do tema tratado no artigo está comprometida pela ausência de um elemento que articule todas as palavras entre si, o que nos permitiria saber aquilo que associa precisamente o grupo de cientistas ao ministro, qual a opinião exata de Carlos Molion sobre a conservação ambiental relacionada ao aquecimento global, e qual a ligação entre os integrantes do grupo e a expressão "céticos sobre a existência do aquecimento global".
Logo, percebemos que o verbo funciona como um elemento determinante neste contexto, a fim de permitir ao leitor a compreensão precisa da mensagem transmitida no artigo.
Vamos retomar o mesmo trecho, desta vez completo:

Grupo contraria teorias sobre o aquecimento global e critica IPCC

Iuri Dantas
da Folha de S.Paulo


            Um grupo de cientistas entregou na quinta-feira (14) ao ministro Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia) documento que questiona a influência da ação humana nos fenômenos das mudanças climáticas globais. "A conservação ambiental não tem nada a ver com o aquecimento global, esta é a nossa principal mensagem", disse Luis Carlos Molion, diretor do Instituto de Ciências Atmosféricas da Ufal (Universidade Federal de Alagoas). Os integrantes do grupo afirmam ser "céticos sobre a existência do aquecimento global".

            Finalmente, observamos que a presença dos verbos eliminou as ambigüidades e suposições feitas anteriormente na tentativa de compreender o sentido próprio a este texto, tornando-o claro e preciso para o leitor.

VERBO – FLEXÕES

Pessoa, número, tempo e modo

            Quando conjugados, os verbos flexionam-se em pessoa a fim de evidenciar quem fala, para quem se fala ou aquele de quem se fala. Vamos observar os seguintes exemplos:

Eu trabalho.
“Eu” indica a pessoa que fala.
Tu trabalhas.
“Tu” indica um interlocutor direto, isto é, alguém para quem se fala.
Ele (ou ela) trabalha.
Eles (ou elas) trabalham.
“Ele” ou “ela”, “eles” ou “elas” indicam que se fala sobre alguém, ou algo, que não participa diretamente da comunicação estabelecida entre as duas primeiras pessoas.
Nós trabalhamos.
“Nós” indica que a pessoa que fala participa da comunicação juntamente com outros.
Vós trabalhais.
“Vós” pode indicar que se fala para um ou para vários interlocutores diretos.

As formas eu, tu, ele, ela, eles, elas, nós e vós são denominadas pronomes pessoais  e indicam  também o sujeito das frases às quais se referem.

Designamos ainda os pronomes segundo seu número, sendo eu, tu e ele/ela, respectivamente, a primeira, a segunda e a terceira pessoa do singular; nós, vós e eles/elas, a primeira, a segunda e a terceira pessoa do plural.
           
No entanto, uma vez que a língua é dinâmica e, por isso, inserida num processo de adaptações constantes, vamos aproveitar este momento para abordar algumas especificidades relacionadas ao uso das formas tu, você(s), vós e a gente.

O pronome tu costuma ser empregado em apenas algumas regiões brasileiras, sendo a forma você aquela que predomina no tratamento direto informal. Esta última utiliza a mesma conjugação atribuída aos pronomes ele e ela. Exemplos:
·      Ele/Você vai ao cinema.
·      Ela/Você conhece muitos lugares.

Para o tratamento direto formal, ainda predominam as formas o senhor e a senhora - que também utilizam a conjugação conferida aos pronomes ele e ela.

As formas plurais vocês, os senhores e as senhoras seguem o critério de conjugação dos pronomes eles e elas. Exemplo:
·       Eles/Elas/Vocês viajaram durante um mês.

A forma a gente tende a ser mais utilizada do que o pronome nós - destinado a um uso predominantemente formal, tanto na fala quanto na escrita. Quando empregamos a gente, o verbo segue a conjugação aplicada aos pronomes ele e ela. Exemplo:
            A gente/Ele/Ela gosta de ir neste restaurante.

A forma vós possui uma particularidade: seu uso encontra-se restrito a textos literários, religiosos e a  documentos  formais  (geralmente empregados  no  âmbito  jurídico).    Embora  considerado  um pronome  pessoal  plural,   a  forma  vós  também  pode  ser  usada  quando  desejamos   nos  referir diretamente a uma só pessoa. Vamos observar os exemplos seguintes:

            1º)  Nos dois primeiros versos do poema "A D. Joana", de Castro Alves, notamos que o pronome vós é utilizado para dirigir-se a uma só pessoa: D. Joana:

SENHORA, eu vos dou versos, porque apanho
Das flores d'alma um ramalhete agreste
E são versos a flora perfumada,
Que de meu seio a solidão reveste.
E vós que amais a parasita ardente,
Que abre como um suspiro em pleno maio,
E o aroma que anima o cálix rubro
— Talvez de uma alma perfumoso ensaio,
            2º) No trecho a seguir, selecionado do "Gênesis" (primeiro livro da Bíblia), capítulo 4, versículo 23, podemos observar mais um emprego do pronome vós, desta vez para dirigir-se ao plural - Ada e Zilá, mulheres de Lameque:
            “E disse Lameque a suas mulheres Ada e Zilá: Ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai as minhas palavras; porque eu matei um homem por me ferir, e um jovem por me pisar.”

 

TEMPO E MODO DO VERBO


            As marcas de tempo verbal situam o evento do qual se fala com relação ao momento em que se fala. Em português, reconhecemos três tempos verbais essenciais: o presente, o passado e o futuro.
            Os
modos verbais, relacionados aos tempos verbais, destinam-se a atribuir expressões de certeza, de possibilidade, de hipótese ou de ordem ao nosso discurso. São reconhecidas as formas do indicativo, do subjuntivo e do imperativo. O modo indicativo possui seis tempos verbais: o presente; o pretérito perfeito, o imperfeito e o mais-que-perfeito; o futuro do presente e o futuro do pretérito. O modo subjuntivo divide-se em três tempos verbais: presente, pretérito imperfeito e futuro. Por fim, o modo imperativo apresenta-se no presente e pode ser afirmativo ou negativo.

1. O MODO INDICATIVO E SEUS TEMPOS

1.1. Presente
       Pode ser empregado para:
a) indicar os eventos que se desenrolam simultaneamente ao momento em que o discurso é produzido:
            Ex: Estamos hospedados na casa de amigos.
b) expressar ações habituais:
Ex: Nós vamos ao cinema ao menos uma vez por semana.
c) narrar fatos passados, atribuindo-lhes atualidade, sendo chamado de presente histórico:
            Ex: A Revolução de 1964 trata-se de um movimento político-militar deflagrado em 31 de março de 1964 com o objetivo de depor o governo do presidente João Goulart. Sua vitória provoca profundas modificações na organização política, econômica e social do país.
d) indicar um evento que pode realizar-se num futuro próximo:
            Ex: Nós vamos à praia no próximo fim de semana.
e) expressar um conselho, uma ordem indireta ou um pedido:
            Ex: Você começa essa dieta hoje!

1.2. Pretérito perfeito
      Expressa processos verbais concluídos e situados num momento anterior ao momento presente:
            Ex: José Rubem Fonseca nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 1925. Formou-se em         Direito e dedicou-se à carreira policial antes de tornar-se escritor.



1.3. Pretérito imperfeito
       É utilizado para:
a) evocar a noção de continuidade, de processos que aconteciam no passado de maneira habitual ou constante:
            Quando menina, eu ia ao sítio dos meus avós durante as férias. Eles moravam no interior,          onde eu encontrava uma vida diferente daquela que eu vivia na grande cidade. Lá, eu       brincava e passava o tempo sem me preocupar com nada. Lá, eu era livre.
b) reportar circunstâncias e o ambiente em que se desenrolavam as ações no momento em que se situa a narrativa:
            Fazia sol e estava calor. Trabalhávamos numa sala pequena e sem ar condicionado. Nós só       pensávamos em praia e descanso.
c) fazer um pedido de maneira polida:
            Eu queria pedir um favor a você.
d) expressar um processo em desenvolvimento quando da ocorrência de outro:
            Quando cheguei em casa, Laura cozinhava nosso jantar.
(Neste exemplo, o pretérito perfeito marca uma ação pontual – cheguei -, e o pretérito imperfeito – cozinhava -, um processo em desenvolvimento cujo início e fim não aparecem delimitados).

1.4. Pretérito mais-que-perfeito
     O pretérito mais-que-perfeito é utilizado quando um dado processo é anterior a outro processo não situado com exatidão no tempo passado.
            Ex: Quando Eugênio chegou no apartamento, percebeu que Ana estivera lá.
            (Neste exemplo, a presença de Ana no apartamento é anterior à chegada de Eugênio).

1.5. Futuro do presente
O futuro do presente pode ser empregado para:
a) indicar processos com forte possibilidade de realização para além do momento em que se fala:
            Ex: As inscrições para este concurso abrirão na próxima semana.
b) expressar uma ordem de maneira enfática, assumindo um valor imperativo:
            Ex: Você entregará este relatório num prazo máximo de cinco dias.

            Uma outra forma de expressar eventos futuros pode ser realizada com a combinação do verbo ir (conjugado no presente do indicativo) e do verbo principal (na sua forma infinitiva):
Ex:
Ela vai sair com seus amigos esta noite.
(De acordo com o contexto em que o discurso é produzido, esta opção tende a ser mais utilizada na linguagem oral e, também, na linguagem escrita).

1.6. Futuro do pretérito
      O futuro do pretérito é empregado para:
a) propor um pedido, uma solicitação ou um convite de maneira polida:
            Ex:Você poderia ajudar-me amanhã com estes relatórios?; Você gostaria de ir ao cinema          comigo?
b) expressar um conselho de maneira indireta:
            Ex: Você deveria comer menos.
c) exprimir um processo posterior a um momento anterior referido em nossa fala:
            Ex: Ela percebeu que não conseguiria chegar a tempo.
d) expressar incerteza com relação a um determinado evento:
            Ex: Quando o prédio foi atingido, estariam lá aproximadamente 100 pessoas.


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2. O MODO SUBJUNTIVO E SEUS TEMPOS

2.1.      Presente do subjuntivo
O presente do subjuntivo é geralmente utilizado quando desejamos expressar desejos, possibilidades, suposições, cuja concretização pode depender da realização de um outro processo. Desse modo, no exemplo:
            Para que eu chegue lá a tempo, preciso pegar o metrô antes das seis.
            A concretização de uma possibilidade (chegar a tempo) está condicionada a um outro                                            processo (pegar o metrô antes das seis).
·       Ou ainda:
 Espero que eles gostem de frutas vermelhas. (desejo)
 É provável que ele parta antes do anoitecer. (possibilidade)
 Imagino que ela viaje sozinha. (suposição)

2.2.      Pretérito imperfeito do subjuntivo
            O pretérito imperfeito do subjuntivo, quando empregado com o pretérito imperfeito do indicativo, ou com o futuro do pretérito do indicativo, expressa uma condição não realizável:               Ex: a) Se eu ganhasse muito dinheiro, viajava pelo mundo todo. (mas eu não ganho                    muito dinheiro, então a viagem pelo mundo todo não acontece)
                              b) Eu viria à festa se eu pudesse. (mas eu não posso).

2.3.      Futuro do subjuntivo
            O futuro do subjuntivo expressa a possibilidade de realização dos eventos aos quais nos             referimos, ainda não concretizados no momento em que falamos ou escrevemos:
                        Ex: Quando você for ao Museu da Língua Portuguesa, ficará (vai ficar) i                                     impressionado.

                        Aquele que vencer o concurso ganhará (vai ganhar) uma viagem para Buenos Aires.

            Antecedido pelo elemento "se" e associado ao futuro do presente do indicativo,                          exprime que há uma condição para que os eventos sejam concretizados:
                        Ex: Se você seguir estes conselhos, terá (vai ter) uma agradável surpresa.


3. O MODO IMPERATIVO

            3.1.      Imperativo afirmativo
                      O  imperativo afirmativo possui as formas referentes a tu, você, vocês, nós e vós. É           empregado quando desejamos expressar uma ordem, um pedido, uma súplica.
·        
Conjugação tal como o presente do indicativo, menos o -s
Presente do indicativo
Imperativo
Tu cantas
Canta
Vós cantais
Cantai





Conjugação idêntica ao presente do subjuntivo
Presente do subjuntivo
Imperativo
Espero que você cante
Cante
Espero que nós cantemos
Cantemos
Espero que vocês cantem
Cantem

                        O imperativo negativo coincide com todas as pessoas do presente do subjuntivo.
Presente do subjuntivo
Imperativo
Espero que tu cantes
Não cantes
Espero que você cante
Não cante
Espero que nós cantemos
Não cantemos
Espero que vós canteis
Não canteis
Espero que vocês cantem
Não cantem

(O material apresentado até aqui sobre verbos é de autoria da professora Lilian Campos0
Lílian Campos (formada em Letras, é professora de língua francesa na PUC-PR e na UFPR, com atuação também no ensino de  Língua Portuguesa). Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação . (Confira na internet: http://educacao.uol.com.br/portugues/verbo-1.jhtm)

FORMAS NOMINAIS DO VERBO

            Para falar sobre as formas nominais dos verbos  é importante saber o porquê desta denominação: diz-se que é uma forma nominal porque, em certas circunstâncias, o verbo pode assumir o papel de um nome (substantivo, adjetvo, advérbio).
            As formas nominais do verbo são:

1. Infinitivo
    É quando o verbo apresenta-se na sua forma original, isto é, ele não é conjugado. Para melhor entendimento, é preciso  lembrar-se daquelas três conjugações:  AR (primeira conjugação), ER (segunda conjugação), IR (terceira conjugação) . O infinitivo é classificado como pessoal e impessoal.
1.1. Infinitivo pessoal – o processo verbal se relaciona a um ser.
            Ex: Eu preciso fazer atividade física.
2.2. Infinitivo impessoal -  o processo verbal não se restringe a nenhum ser, ou seja, não existe              sujeito se relacionando com o verbo.
            Ex: Fazer atividade física é essencial à saúde.

2. Gerúndio
            Indica uma ação verbal  incompleta ou prolongada  e possui a terminação NDO.
            Ex: A garota estava estudando quando a convidei para sair.
                 Estou memorizando estas fórmulas para o teste de amanhã.

3. Particípio
            Revela o tempo da ação verbal. Sua ocorrência manifesta-se nas locuções verbais, nos     tempos  compostos e nas orações  reduzidas. Sua terminação é ADO ou  IDO.
            Ex: Se você tivesse avisado, não teria chegado antes.
                  Eu teria ido ao seu casamento, caso fosse convidado.


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Referências

CAMPOS, Lilian. Verbo - definição: o que é e para que serve?. UOL Educação. Disponível em: . Acesso em: 07 ago. 2010,

CAMPOS, Lilian. Verbo - flexões: pessoa, número, tempo e modo. UOL Educação. Disponível em: . Acesso em: 07 ago. 2010. 

DUARTE, Vânia Maria Do Nascimento. "Formas Nominais do Verbo"; Brasil Escola. Disponível em . Acesso em 05 de dezembro de 2015.

SOUZA, Diego Lucas Nunes de. Língua Portuguesa: Verbo. Apostila de língua Portuguesa - Módulo II.  Cataguases, 2010, p. 27 - 34. 

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