28 de mai de 2009

FANTASIA VERSUS REALIDADE NOS CONTOS JOYCEANOS

JAMES JOYCE
James Augustine Aloysius Joyce, mais conhecido como James Joyce, um dos maiores escritores da língua inglesa do século XX, nasceu em Dublin, na Irlanda, a dois de fevereiro de 1882, filho de pais católicos, bem-sucedidos financeiramente.Um exilado de sua própria pátria, Joyce foi profundamente influenciado por sua vivência irlandesa, que empresta a sua obra o cenário e os temas mais frequentes. A infância e a adolescência passadas em Dublin povoaram as páginas de seus livros com os personagens e paisagens que lhe são familiares durante este período.
Quando explode a Segunda Guerra Mundial, Joyce se exila em Zurique - Suiça, fugindo da França ocupada pelos nazistas. Nesta cidade morre o autor, em 1941, mas permanecem vivos, eternamente, seus personagens, já incorporados à realidade literária, ou seja, à galeria dos heróis que circulam livremente entre os viventes, como um marco da literatura moderna. (http://www.infoescola.com/escritores/james-joyce/. Acessado em: 28 de maio de 2009)
RESUMO
O artigo tem por objetivo analisar os contos do escritor Jaymes Joyce sob uma perspectiva psicanalítica, tentando compreender os elementos utilizados pelo autor tal como sua perspectiva. O conto resenhado trata, da história de um solteirão, ex funcionário de um banco, que com a presença de uma mulher em sua vida tornou-se mais sociável e logo depois do término do relacionamento amoroso, ele retorna à vida repleta de mesmice e solidão.
James Duffy, um caixa de um banco particular solteirão e solitário, mora no subúrbio de Dublin em uma casa sombria. Não tem amigos e só visita a família no Natal ou quando morre algum parente. Não suporta desorganização e segue uma agenda sempre igual: levanta cedo, vai ao trabalho de bonde, almoça e janta sempre nos mesmos lugares. Seus únicos prazeres são tocar Mozart e ir a óperas e concertos. E é num desses concertos que ele conhece Emily Sinico, a solitária mulher de um capitão de navio que não se importa com ela. Após o terceiro encontro deles, Duffy a convida para sair. No começo, eles se encontram na casa dela, com o consentimento de Mr. Sinico que pensa que ele está interessado em sua filha. À medida que vão ficando íntimos, decidem se encontrar às escondidas. Um dia, quando estão falando sobre solidão, Emily segura a mão de Duffy, apaixonadamente, e a leva ao peito. Ele recua por medo de que uma paixão venha tulmutuar sua vida organizada e decide não mais vê-la. Passam-se quatro anos sem que ele saiba nada sobre ela, até ler num jornal a notícia de sua morte .Ela fora atropelada por um trem. A matéria insinua que ela cometera suicídio. Sua própria filha dá uma entrevista dizendo que nos últimos dias ela costumava beber à noite. Testemunhas dizem que ela costumava andar pelos trilhos à hora do trem passar. James sente-se revoltado pela maneira como a morte dela é tratada, depois sente culpa por tê-la rejeitado e então sente pena dela. Sai caminhando e reflete sobre sua vida, sobre a oportunidade perdida de libertar-se de sua solidão. Sente a presença e ouve a voz de Emily. De repente, se dá conta de que a solidão dela era reflexo de sua própria solidão e se sente mais solitário do que nunca.Esta é a história de perdas de oportunidades e leva o leitor assim como o protagonista a refletir sobre sua vida e as oportunidades perdidas que não voltam.
Podemos observar nesse conto a presença de um narrador personagem com foco narrativo em primeira pessoa pois a história é relatada em detalhes. É possível identificarmos nesse conto diversos elementos que nos possibilitam conhecer o a fundo o personagem principal da história, então analisaremos por parte para que todas as informações fiquem claras. Em um primeiro momento da história, podemos observar pelo fragmento: “O senhor Duffly residia em Chapelizold porque desejava viver o mais afastado possível da cidade a que pertencia e porque julgava os outros bairros de Dublin vulgares, modernos e pretensiosos.”1, que o Sr. Duffly era um indivíduo reservado, austero, excêntrico, intolerante com o mundo e desajustado socialmente. Vivia em um exílio voluntário, fazendo tudo sempre igual, sendo metódico. Logo adiante encontramos a parte que diz: “Morava numa casa velha e sombria. De sua janela podia- se ver a destilaria abandonada e, mais adiante, o rio pouco profundo em cujas margens ergue-se Dublin.”
A casa, psicológicamente é sempre o interior da própria pessoa, ou seja, se a casa é sombria, a pessoa também é, significa que ele era uma pessoa emocionalmente vazia, não amava e não tinha ninguém. Em relação a janela, essa é a comunicação dele com o mundo e se da janela se via uma destilaria desativada, pode significar que ele havia sido um boêmio e não é mais e a figura do rio presente no texto marca onde ele afogou todas as expectativas de vida, as alegrias e esperanças. Outro elemento importante para a análise são os móveis escolhidos de um lado do quarto pelo personagem, feitos de ferro ou metal e de cor negra. “ Ele próprio escolhera os móveis: uma cama negra de ferro, um lavatório de ferro, quatro cadeiras de vime, um cabide para guarda roupas, uma caixa de metal para carvão, um aparador de lareira com os atiçadores e uma escrivaninha de tampo duplo.”3. Isso significa que ele era uma pessoa ríspida, fria.
O quarto de Duffly era dividido por uma prateleira branca e agora analisaremos um outro aspecto do conto, vejamos outra instância do quarto: “ Dividindo o quarto, instalara uma estante cm prateleiras de madeira branca. As cobertas de seu leito eram brancas e um babado preto e vermelho cobria os pés da cama. [...] Os livros nas prateleiras brancas estavam arrumados de acordo com o tamanho[...]”.4 Branco é a ausência de cor e esse elemento pode ser entendido como a falta de vida, de alegria na vida dele. O fato de as cobertas terem babado preto e vermelho pode-se dizer que: preto é ausência de luz, mas também é cor da sensualidade, tanto o vermelho quanto o preto e isso pode significar que na ausência de alegria e de cor na vida dele, existia um latente desejo sexual. Amor e paixão, significa desordem, pois vira a vida da pessoa de ponta a cabeça e talvez por isso ele tenha receio de se entregar a um amor. Os livros organizados por ordem de tamanho significa que a vida dele era sempre igual, tudo era rotina, possuía uma vida previsível, ordenada e marcada pelo contuísmo de uma solidão intensa.
1. UM OLHAR INTELECTUAL SOBRE A OBRA JOYCEANA
Uma maneira de olhar para a evolução do personagem Duffy, é olhar para os livros que ele possui. No conto encontramos citações de obras em que podia-se ver sobre a mesa e nas prateleiras, dentre eles é citado o escritor Wordswoth que é um poeta britânico nascido no início do século XIX no norte da Inglaterra e foi um dos primeiros românticos ingleses. Sempre foi um poeta muito popular e tratou muito da natureza do relacionamento humano. Suas poesias tinham muitas imagens positivas sobre a vida e formas de como desenvolver a mente humana a partir da relação com a natureza, mas tinha visões negativas também. Existe um calmo desespero em grande parte de sua poesia. Wordswoth parecia duvidar de suas próprias mensagens positivas. Duffy duvida de suas próprias ações, ele tem esperança mas não acredita em suas próprias ações. Maynooth Catechism mostra que Duffy não se isola completamente, ele ainda mantêm uma norma religiosa que provavelmente teria estudado ainda quando era criança. Ele não se solta completamente para o mundo.
Perto do fim da história, porém, ele acrescenta livros novos para sua estante. Acrescenta dois livros de Friedrich Nietzische: “Assim falava Zaratustra” e “A Gaia Ciência”. Nietzische foi um filósofo alemão do final do século XIX, pensador radical que propôs muitos comentários negativos sobre a natureza humana Mais tarde em sua vida, se tornou um eremita. Na obra, “A Gaia Ciência”, ele escreveu uma de suas mais famosas linhas, a de que “Deus está morto” . A adição de Nietzche para a biblioteca de Duffly mostra que seu afastamento da sociedade estava quase completo, tênue e que irá se realizar na religião. Ele já perdeu todas a esperança para humanidade e tem a confirmação de todas as dúvidas sobre a vida dele, é isso que a escolha de livros reflete.
Faremos agora uma análise sobre o isolamento do personagem da sociedade. Duffly reside fora de Dublin, não fala de sua família, não tem amigos e vive fora de seu próprio corpo. Todos esses exemplos mostram que ele não pertencia a nenhum grupo, mesmo que ele não sinta que é uma parte de si mesmo. Uma visão superficial, não conseguiremos analisar os fatos dessa forma, mas podemos adivinhar que ele tenha tido experiências que o levasse a duvidar de qualquer relação. Seu rosto mostra essas experiências, vejamos o fragmento: “Seu rosto, que trazia as marcas de todos os seus anos, tinha a mesma cor escura das ruas de Dublin. Em sua cabeça, larga e comprida, crescia um cabelo seco e negro e os bigodes de tom castanho não chegavam a dissimular a expressão hostil de sua boca. As maçãs do rosto também lhe davam uma aparência dura, as não havia aspereza em seus olhos que, contemplando o mundo debaixo de sobrancelhas também castanhas, sugeriam tratar-se de um homem sempre pronto a descobrir nos outros, qualidades redentoras, mas que geralmente decepcionava.” . Duffy ainda tem a capacidade de sentir-se ligado a alguma coisa, mas suas experiências de vida deixam-o em dúvida.
Suas relações com a Senhora Sinico coloca em teste suas esperanças. Ele sente-se confortável com e se une-se a ela, mas a paixão por ele é demais. Suas dúvidas o fazem fugir de uma pessoa que se preocupa, que obviamente cuida dele. Quando ele foge da Sra Sinico, torna-se claro que ele está fugindo da felicidade. Seu isolamento exterior agora corresponde ao seu isolamento interior. No final da história, Duffy sente-se como se não tivesse mais nenhuma esperança. Quando se lê o conto, não temos uma descrição de seus olhos, mas podemos dizer que, a esperança, uma vez presente, saiu deixando apenas a decepção.
2. O CONTEXTO-HISTÓRICO EXPONDO SUA IMPORTÂNCIA NA OBRA
Nesse conto, o autor utiliza uma linguagem simples, ligando os fatos da narrativa de forma com que o leitor fique preso à história e a descrição presente no texto nos faz sentir presentes na cena. No plano histórico a Europa, no leste europeu acontecia a primeira revolução socialista da história a ter sucesso no Império Russo, a Revolução Russa de 1917. Essa revolução tirou a Rússia da Primeira Guerra Mundial e a transformou em uma potência até o fim da Segunda Guerra Mundial. Como conseqüência, alguns países do leste europeu adotaram o sistema socialista e juntaram-se à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas enquanto a Europa Ocidental continuava adotando o sistema capitalista defendido pelos Estados Unidos de forma que o continente se viu dividido em dois blocos opostos, durante a Guerra Fria, divisão melhor representada pelo Muro de Berlim. Com a queda da União Soviética e o fim da Guerra Fria em 1989, a Europa partiu para o caminho da integração regional com a União Européia, caminho seguido até os dias atuais com a inclusão de novos membros no bloco.

1 comentários:

Anônimo disse...

Eie! Ficou muito legal seu blogger e os assuntos q vc aborda tbm! Mto complexos pra mim porém são legais!
Abraços!
Adriana

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